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15 de fevereiro de 2014

LIVRE ARBÍTRIO!

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Livre Arbítrio

Quando a consciência mental opera sozinha ela pode estar em concentração ou em dispersão. Dispersão é quando você se permite ser arrastado pelas emoções. Quando nos sentimos fora do controle de nossas vidas, como se não tivéssemos soberania alguma, isto é a consciência mental em dispersão. Você pensa e fala e faz coisas que você não consegue controlar. Não queremos estar cheios de ódio e raiva e segregação, mas às vezes sentimos que a energia do hábito é tão forte que não sabemos como mudá-la. Inexiste bondade amorosa, compreensão ou compaixão em seu pensamento porque você está aquém do seu melhor eu. Semelhante ao homem que gritou com o filho dele de manhã, você diz e faz coisas que não diria ou faria se estivesse concentrado. Você perde a sua soberania.

Quando contemplamos profundamente, já podemos nos imaginar em uma situação onde nos controlamos melhor e não somos apenas vítimas de nossas energias de hábito. A concentração nos dá uma liberdade maior para fazer as escolhas que desejamos fazer; ela nos dá a possibilidade de algum livre arbítrio.

Quando a nossa energia está dispersa e ficamos facilmente enraivecidos, podemos saber intelectualmente que a nossa raiva não nos ajuda, mas não somos capazes de pará-la. A questão do livre arbítrio, portanto, não é uma questão intelectual. Às vezes as pessoas pensam que nossos sentimentos são apenas causados pelas substâncias químicas que são liberadas no cérebro. Você se enraivece, fica violento somente por causa de algumas substâncias químicas liberadas no seu cérebro. Mas os nossos modos de pensar e agir produzem estas substâncias químicas. E a maneira como elas são liberadas, seja em excesso ou moderação, dependem muito do nosso modo de vida.

Se soubermos a maneira de comer plenamente conscientes, a maneira de comer adequadamente, a maneira de bebermos devidamente, a maneira de vivermos nossa vida diária de um modo equilibrado, a liberação destas químicas só trará bem estar. Se vivermos uma vida que está perturbada pela raiva, medo e ódio, nós saberemos que na base de nossa cognição os neurônios e as químicas que eles liberam serão afetados e haverá um desequilíbrio no cérebro e em nossa consciência. Podemos usar a nossa sabedoria, a nossa contemplação profunda para determinar como estes elementos funcionam. Você não pode dizer que estes elementos não são mente; eles são nossa mente.

No budismo dizemos que este corpo é a sua consciência. Usamos a expressão sânscrita namarupa. “Nama” significa mente. “Rupa” significa corpo. Elas não são entidades separadas, mas uma manifestação dupla da mesma substância.

Nós sabemos que todos nós temos energias de hábito negativas que nos impulsionam a pensar, a dizer e fazer coisas que intelectualmente sabemos que irão nos causar prejuízos. E, no entanto, nós as fazemos de todo jeito. Nós as dizemos de qualquer maneira. Nós as pensamos de todo jeito. Isto é a energia de hábito. Quando a energia de hábito surge, e está prestes a lhe empurrar a pensar, a sentir, a dizer e fazer, você tem a oportunidade de praticar a consciência plena. “Olá, minha energia de hábito, eu sei que você está surgindo”. Isto pode já fazer uma diferença. Você sabe que você não quer ser vítima da sua energia de hábito e a intervenção da consciência pode mudar a paisagem.

A segunda coisa que a consciência mental pode fazer é aprender hábitos positivos. Você pode se treinar a parar toda vez que ouvir o sino. Você interrompe o seu pensamento, pára de fazer coisas, e está apoiado por outros membros da comunidade para fazer isto. Em poucas semanas isto se torna um hábito. Quando você ouve o sino, naturalmente pára de pensar e se deleita com sua inspiração e expiração. Este é um hábito positivo. O fato de podermos criar e cultivar uma energia de hábito positiva prova que o livre arbítrio é possível. Ser soberano de si mesmo é possível em certa medida. A consciência armazenadora e a energia de hábito dentro dela são o solo de seus pensamentos diários, ações e palavras. Você pensa, fala, e faz coisas com a sua consciência armazenadora por trás ditando o seu comportamento. A qualidade das sementes dentro da consciência armazenadora é muito importante para isso. Você possui alguma quantidade de sabedoria, de compaixão dentro de si, e você ainda possui uma quantidade de raiva, uma porção de discriminação dentro de você. Junto com nossa educação, com a nossa prática, nós podemos reconhecer que existe um mecanismo existindo a nível inconsciente que nos faz andar, sentar, levantar, pensar, dizer coisas e agir.

Quando a consciência mental começa a operar, a energia da consciência plena pode ser gerada, e de repente você é capaz de estar cônscio do que está acontecendo. A intenção de andar, a intenção de dar um passo, pode se originar a nível metabólico. Mas é possível estar consciente daquela intenção. “Inspirando, eu sei que tenho a intenção de inspirar,” antes mesmo de fazê-lo. No entanto com a intervenção da consciência plena, a paisagem muda. Uma vez que a intenção tenha começado, a consciência plena ainda pode alterar o curso, e não através de luta. A consciência plena torna possível que outras sementes dentro de nós, sementes positivas, se manifestem. Temos aliados lá em baixo em nossa consciência armazenadora.

A consciência plena é aquele quem convida. A consciência plena é o jardineiro que acredita na capacidade do solo prover flores e frutos. Às vezes a consciência plena pode desempenhar o papel de iniciador. Suponha que você está cônscio de que o seu amado está sentado à sua frente. Inspirando, eu sei que a minha amada está sentada à minha frente. E eu noto que isto é algo importante. Ela está viva. Ela está presente diante de mim. Seria bom se eu dissesse algo agradável para ela, porque amanhã eu posso não está ali para dizê-lo. E então você olha para ela e diz: “Querida, eu sei que você está aqui, e eu estou tão feliz.” Então, a consciência plena pode agir como um agente e iniciar algum pensamento, ou alguma fala, ou alguma ação. Por isso dizemos que a consciência plena pode vir depois, ou a consciência plena às vezes, se quisermos, pode ser o iniciador de algum pensamento, de alguma fala, ou alguma ação. Compreendendo este processo, sabemos que existe uma chance de nos libertarmos. E a grande liberdade começa com estas minúsculas liberdades que fazemos surgir com a nossa consciência plena.

Para mim, a atenção plena é a nossa primeira verdadeira chance de liberdade, de livre arbítrio. Em estado de dispersão, nossa mente não está unida ao nosso corpo. Nosso corpo pode está aqui, mas nossa mente está no passado ou no futuro, aprisionada em nossa raiva, em nossa ansiedade e nossos projetos. A mente e o corpo não estão juntos. Então com a respiração consciente nós trazemos a mente de volta ao corpo, recompondo-se. Recompor-se significa que você se torna o melhor de si. Você recupera alguma soberania de si mesmo. E você sabe que quando é capaz de readquirir o domínio de si mesmo, existe ali alguma quantidade de consciência plena e de concentração. Você está totalmente estabelecido no aqui e agora e está ciente do que está acontecendo. Você não é mais uma vítima da situação, a situação do seu corpo, a situação da sua consciência armazenadora, a situação do seu ambiente. É por isso que a consciência plena é tão importante. Ela nos ajuda a estar ciente do que está acontecendo. Ela pode nos ajudar a iniciar algo. Ela pode nos ajudar a nos recuperar, a reivindicar a nossa soberania.

Com consciência plena nós paramos de ser vítima das energias de hábito. Isto não significa que lutamos contra a energia habitual dentro de nós, mas que nos tornamos cientes dela e a abraçamos gentilmente. Com a prática da respiração consciente, nós nos tornamos conscientes da energia habitual que está surgindo. Podemos dizer para nós mesmos: “Oh! Minha querida energia de hábito, você é uma amiga minha de longas datas. Eu lhe conheço tão bem. Eu vou tomar conta de você.” Com àquele tipo de consciência plena você preserva a sua liberdade. Você deixa de ser uma vítima da sua energia de hábito. Você sabe a maneira de usar as muitas condições para fortalecer a sua consciência plena. Uma comunidade que pratica consciência plena, o som do sino e a meditação caminhando são todos elementos sustentadores.

(Do livro Buddha Mind, Buddha Body: Walking toward Enlightenment, de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: Tâm Vân Lang)
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