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18 de janeiro de 2014

SOBRE A MEDITAÇÃO ALGUMAS DICAS

FAÇO LEITURA DO TAROT E NUMEROLOGIA PARA QUEM DESEJAR AJUDA, ORIENTAÇÃO, E TRATAMENTOS ALTERNATIVOS DE PRANA LUZ E COR.A meditação que propomos não utiliza sons, objetos externos, nem visualizações. Caso alguém desejar utilizar um objeto externo para meditar, pode utilizá-lo, porém o resultado será limitado.
Deve-se escolher um só objeto de meditação.
Recomendamos como objeto principal da meditação a atenção à respiração (anapanasati).
Relaxe respirando profundamente umas três vezes, e se souber faça a respiração em três partes.

Pode-se observar a respiração pelo movimento do peito, do abdômen, ou sentido a entrada do ar nas narinas. Uma vez observado a sensação da respiração num desses lugares, onde lhe for mais fácil, fique apenas observando. Respire normalmente. Não controle a respiração. Preste atenção total a sensação da respiração. Não é prestar atenção, mas prestar a total atenção. Pode-se observar as diversas "respirações" em suas fases de inspiração e expiração, curtas e longas. Antes que a mente e corpo se acalmem, as respirações são longas e rápidas. Gradativamente as respirações vão ficando cada vez mais curtas e vagarosas. Observe a inspiração curta como sendo curta, a longa como sendo longa, a expiração curta como curta e a longa como longa. Enquanto o ar entra e sai, observe que tanto a inspiração como a expiração tem início, meio e fim. E ao passo que se vai prestando atenção a este processo respiratório, a mente vai ficando cada vez mais tranquila e a respiração torna-se cada vez mais devagar e sutil. Permaneça consciente de sua respiração durante todo o tempo.

Enquanto respiramos, observamos o corpo relaxado. Ao fazer isto, a mente se tranqüiliza e ganha um grau de compreensão da respiração.Talvez consiga perceber onde sua respiração é sentida com mais facilidade. Pode ser dentro das narinas, na ponta do nariz; mas nem todos esses lugares são sentidos por todas as pessoas. Cada pessoa sentirá diferente. Então, com o passar do tempo, no lugar onde se tem a facilidade de sentir melhor à respiração, perde-se até a sensação dela, ficando-se muito alerta, cheio de energia. Assim ativados e energizados, a sonolência não atacará.

Todos aqueles que já praticaram a meditação sabem que ao se alcançar o ponto de relaxamento é o momento também em que na falta de atenção, a sonolência e o torpor atacam. Se isso ocorrer, deve-se abrir os olhos, girá-los, puxar os lóbulos das orelhas, ou então visualizar uma luz muito brilhante acima e a frente de nós. Ou inspirar profundamente. Prendam a respiração o mais que puderem, e em seguida soltem o ar lentamente pela boca. Tudo isso serve para acordar. Repitam diversas vezes até que a sonolência desapareça. Neste momento fica-se novamente atento e cheio de energia. Desta forma, fica-se confiante. Estando confiante, o objeto principal de meditação permanece mais tempo na mente. No nosso caso, a respiração é o objeto principal da meditação.

Quando a mente permanece muito tempo no seu objeto de meditação, a pessoa sente alegria. Esta alegria vai surgindo gradativamente. De início experimenta-se uma pequena satisfação. Sentiremos o aumento dessa satisfação ou alegria como um preenchimento do corpo. Seja qual for o ressentimento ou raiva que se tenha tido ou guardado, neste momento ele desaparecerá. Esta satisfação ou alegria não subsiste junto com o ressentimento. É algo muito parecido com uma Lei da Física, que diz que dois objetos materiais não podem ao mesmo tempo ocupar o mesmo espaço. De forma análoga, com o surgimento da alegria, o ressentimento desaparece. Ao desaparecer o ressentimento e surgir à alegria-satisfação, você se torna feliz. Quando a felicidade aparece, a inquietação e a preocupação desaparecem. Algumas pessoas confundem alegria com felicidade. Na 1íngua páli, elas são duas palavras distintas: piti e sukka. A alegria-satisfação surge em antecipação ao que vai ocorrer. A felicidade surge quando aquilo que foi antecipado, previsto ou vislumbrado se realiza, se concretiza, se completa.

Quando se medita e a satisfação aparece, se está somente antecipando alguma coisa que vai acontecer. No estágio seguinte se experimenta a felicidade, e é o estado onde os aborrecimentos e as preocupações desaparecem. A felicidade nos leva a experimentar a paz e a tranquilidade. E quando a mente e corpo estão pacificados, surge a concentração. Quando a concentração surge, desaparece a avidez. Concentração e avidez não coexistem na mente. Vemos como o surgimento de estados salutares exclui os não salutares.

A Meditação Vipassana serve para observarmos coisas mais profundas dos Ensinamentos do Buda, como as Quatro Nobres Verdades, Os Cinco Agregados e as Três Características da Existência. No estado meditativo, podemos ver como o eu é uma realidade relativa e condicionada; como nos apegamos aos momentos do passado e podemos ver cada coisa que compõe nosso ser, como a materialidade, as percepções, as sensações, as tendências mentais, os fatores condicionantes e a consciência. Estamos sujeitos aos condicionamentos, em páli samkhara, que são todas as coisas que tornam nossa vida mais pesada. É tudo que condiciona nossa vida de uma forma ou de outra. São os fatores condicionantes. Esses fatores (samkharas) são criados, gerados e tornados possíveis graças à noção do "eu". Durante a meditação, com a mente totalmente concentrada podemos observar esta realidade.

Uma outra coisa que se pode observar claramente na meditação é a nossa consciência. Quando se alcança a qualidade de concentração aqui mencionada, e a usamos para nos ver exatamente como somos, ganhamos verdadeiramente uma compreensão de nós mesmos, que é particular ou individual no sentido de que é uma realização intransferível, enquanto os outros que não tiveram este tipo de concentração e observação não obterão nenhuma compreensão a nosso respeito. As técnicas de meditação servem para que possamos nos ver como realmente somos, ao invés de nos enganarmos a nosso respeito e nos decepcionarmos.

Quando as pessoas meditam, contam às vezes que viram luzes, ou sentiram-se flutuando no ar, ou tiveram uma linda visão. Todas essas coisas são fenômenos normais e passageiros. Mas não é o que importa. Devemos observar tais fenômenos como tais e seguir adiante.

O verdadeiro propósito da meditação é vermos como somos e não termos visões fantásticas, sensações anormais ou desenvolver poderes extraordinários. Quando meditamos corretamente, lidamos melhor conosco, e também com o mundo ao nosso redor. Isto é devido a não mais nos sentir diferentes das outras pessoas. Somos afortunados por aprender a fazer melhor uso de nossas vidas ao vê-la exatamente como ela é. E somente nós podemos fazê-la feliz ou miserável.

Não creia que alguém possa nos tornar felizes ou miseráveis. Somos totalmente responsáveis pela nossa vida, pela nossa paz e pela nossa felicidade.

Encorajo a todos vocês a meditar, a iniciar logo a sua prática pessoal.

Palestra realizada no retiro de 1996 pelo Bhante Gunaratana
Tradução: Carlos Antonio Lessa - Revisão e adaptação: Hildeth Farias da Silva
Imagem: Internet




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